quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Sobre a queda dos Deuses

Aqui vai o começo de um conto que escrevi, quando eu aprender a gerenciar todos os recursos do Blog vou deixar isso mais organizado.

O ANO DA QUEDA DOS DEUSES

I

Jonathan Holmes retirou do seu bolso o velho relógio de prata que o havia acompanhado por tanto tempo. Do tamanho da palma de sua mão, essa relíquia com mais de 350 anos era uma das poucas que ainda existiam. Ele tinha orgulho disso. O adquirira em sua adolescência quando ganhou de um velho senhor que iria joga-lo fora.Jonathan sempre acreditou que o passado de um povo era seu bem mais importante e que deveria ser preservado a todo custo.Eram 10:28 e ele sorriu ao ver o ponteiro dos minutos da cor dourada e não negro como os demais.O original havia caído e um novo colocado no tempo em que seus avós eram jovens e esta peça, antiga.Reposto na Terra, seu belo mundo que ainda usava as horas.Levantou seus olhos e as pesadas sobrancelhas negras para o outro relógio, além da ponte e acima das estrelas.Faltavam 3 Kronigs para a mudança do turno e a nave estava em silêncio.

Sentado na sua cadeira o velho capitão sentiu novamente o peso de sua missão. Sua nova nave era estranha e de sua posição não conseguia ver os artilheiros que se sentavam no nível inferior.Estava desconfortável com a longa e estreita ponte de comando, sempre preferira as circulares, mas ele também preferia os dias antigos e os velhos temores e sabia que não conseguiria nada disso de volta.Fechou seus olhos cansados escondendo sua alma fatigada, colocou novamente o relógio no bolso e com a mão direita apertou um marcador luminoso no braço de sua cadeira.Sua voz ecoou pela nave.

- Atenção todos os deques, é a mudança do segundo turno, aqueles que forem liberados se preparem para situações de emergência.

Estava tudo muito quieto, a navegadora que se sentava à direita e um pouco a sua frente o olhava como se esperasse alguma coisa. Jonathan sabia que esperavam um discurso, como todo capitão fazia antes de conduzir seus homens através do rio, recusando pagar ao barqueiro. No coração da cadeia de comando Holmes transmitia confiança e força em seu impecável uniforme negro da marinha espacial, sua hesitação, no entanto, mostrava como estava abalado por dentro. Tocou levemente a placa de bronze que se afixava no braço direito de sua cadeira. Era a figura de um homem curvado carregando o planeta Terra nas costas. Embaixo os dizeres “Cruzador classe Atlas”

-O peso do mundo nos ombros de um velho - murmurou, desviou então seus olhos para o braço esquerdo da cadeira, para a placa de bronze que tinha a figura imponente de um homem velho e caolho – Odin - e sua alma recuperou um pouco de sua força.

Levantou-se de forma solene e poderosa – Mostre-me a frota – Exclamou. Mesmo com quase setenta anos Jonathan Holmes ainda era forte e não possuía cabelos brancos, todos eram curtos e negros em contraste com sua pele clara.Sua forma agora adquiria uma sufocante aura de autoridade.

O espaço na frente da ponte se transformou em três telões de súbito.Agora a tripulação via toda a frota terrestre, com os 5 cruzadores Atlas a lidera-las, encarando um horizonte inexistente.

Novamente sua voz ecoou :

-Filhos da Terra, hoje nos erguemos para nossa última batalha.Não importa o que aconteça nossos sonhos não serão desfeitos nem nosso futuro despedaçado.O suor de nossos pais nos forjaram para esse dia, para o dia em que com nosso sangue arrancaremos as presas da besta e permitiremos que nossas crianças cresçam como Homens.O passado nos fez fortes, o presente nos da a coragem e o futuro nos tornará imortais.Que venha o ragnarok e não fraquejaremos, pois as trompas tocam e Odin espera.

Eram 10:31.

II

O tempo prosseguia se arrastando como sempre o fez em épocas difíceis. Não havia mais nada a fazer a não ser esperar. Sheryl, a navegadora, segurava dentro de si as lágrimas da insatisfação. Não era justo o que passavam e jamais aceitaria o contrário. Não tinha filhos mas agora considerava todas as crianças da Terra suas e se o capitão as protegesse e salvasse seus sonhos então ela daria sua vida a ele.E de fato isso iria ocorrer pois seus monitores brilharam e indicaram na órbita próxima a vênus a chegada dos Den-shalok.

- Leituras positivas, Jeová, Osíris, Zeus e Vishnu confirmam a presença. Capitão, eles estão aqui.

- Pois bem, que assim seja, contate Jeová.

O jovem oficial de comunicação rapidamente cumpriu a ordem enquanto as luzes enfraqueciam e a nave se preparava para a batalha. Ele sabia que em todos os deques a energia estava sendo redirecionada e os sistemas não essenciais eram desligados.Era uma pena, seu irmão na Terra havia se casado há apenas um dia e agora não poderia mais enviar um presente de parabéns. Teria sido padrinho se a deterioração das relações entre a Terra e o conselho Den-shalok não houvessem cancelado todas as licenças.Ele queria ter estado lá, casaram-se num belo dia da primavera francesa, terra natal de sua nova cunhada, embora a França não exista há quase um século.

Um novo telão surgiu e um homem grisalho de pele morena olhava Holmes

-Almirante, aguardo autorização para organizar a frota

O idoso almirante Juan Gonzáles sorriu levemente enquanto olhava o capitão da Odin.

-Chame-me de Juan velho amigo.Autorização concedida, organize o comboio e crie-nos uma barreira para que possamos separar os quatro cavaleiros de seu exército do apocalipse.Só não se distraia por lá pois é conosco que sua nave deve permanecer.Jeová desliga.Boa sorte Jonathan.

“Se estivéssemos na Terra estaria chovendo”, pensava o capitão enquanto a tensão tomava conta dele. “Não há vento para nos guiar e nossas naus não cortam um mar de lágrimas, apenas o temor do vazio em direção dos gritos além dele."


-CONTINUA-

Um comentário:

Milhouse disse...

Alguém dê o Pulitzer pra esse cara! :]